O debate republicano no Brasil não nasceu de um evento ocorrido do dia para a noite. Ele foi lentamente discutido sobre os escombros de uma monarquia que, a partir de meados do século XIX, começou a perder sua capacidade de acomodar as transformações sociais e econômicas do Brasil. Longe de ser um movimento homogêneo, a “ideia republicana” foi um conjunto de interesses diferentes, unindo cafeicultores, militares descontentes e intelectuais urbanos sob uma mesma bandeira de contestação
1870: o marco da ruptura institucional
Embora o descontentamento existisse de muitas formas, o debate ganhou corpo e doutrina com a publicação do Manifesto Republicano em dezembro de 1870, em São Paulo. Este documento transformou críticas em um programa político organizado.
Os republicanos históricos atacavam as estruturas centrais da monarquia, focando em quatro pilares de descontentamento:
- O Poder Moderador: Visto como uma ferramenta de arbítrio pessoal do Imperador e fonte de corrupção.
- A Centralização: O desejo por um federalismo real que desse autonomia às províncias (futuros estados).
- O Senado Vitalício: Um símbolo de privilégio aristocrático que impedia a renovação política.
- A Exclusão Política: A crítica a um sistema representativo que ignorava a vasta maioria da população.
Duas Repúblicas em disputa: o agrarismo paulista vs. o urbanismo pernambucano
Um dos aspectos mais fascinantes do início desse debate é a profunda diferença de base social entre as províncias. Em São Paulo, por exemplo, o republicanismo foi impulsionado pela potência econômica do Oeste Paulista. Ali, a modernização do café e a expansão ferroviária criaram uma elite que via a Monarquia como um entrave ao seu poder econômico. Estatisticamente, 58,6% do movimento republicano paulista era composto por grandes lavradores. Para eles, a República era uma questão de federalismo e autonomia econômica.
Já em Pernambuco, havia um contraste radical. Embora tenha sido o berço histórico de revoluções, o republicanismo teve um caráter marcadamente urbano. Apenas 2,6% dos republicanos pernambucanos eram agricultores. O movimento era composto por advogados, estudantes, jornalistas e artesãos do Recife.
Isso gerou pautas distintas: enquanto o Sul priorizava o federalismo, em Pernambuco o debate foi moldado pelas urgências do trabalhador urbano. A carestia, o desemprego e os impostos abusivos fizeram com que a República fosse idealizada como uma ‘tábua de salvação’ para as mazelas cotidianas, criando uma expectativa de melhoria material imediata que, inevitavelmente, resultaria em frustração.
É fundamental ressaltar que o debate republicano não se limitou aos interesses econômicos, sendo travado também no campo das ideias políticas e filosóficas. Estudantes e intelectuais, especialmente das escolas militares do Rio de Janeiro, apropriaram-se do Positivismo de Auguste Comte e do Evolucionismo de Herbert Spencer para conferir um verniz ‘científico’ à oposição que faziam à coroa imperial. Para essa geração, a Monarquia não era apenas politicamente injusta; ela era ‘cientificamente’ obsoleta, uma etapa a ser inevitavelmente superada na evolução social.
O fator militar: da guerra à política
Esse debate transbordou dos jornais para a caserna, penetrando nas escolas militares e nas Forças Armadas após a Guerra do Paraguai (1864-1870). O Exército retornou do conflito com uma nova identidade corporativa e um profundo ressentimento contra a elite civil imperial, a quem acusava de negligência e corrupção. Cristalizava-se ali o conflito entre a ‘Casaca’ (os políticos civis) e a ‘Farda’ (os militares), com estes últimos passando a reivindicar um papel de protagonismo na condução do Estado.
Liderados por figuras como Benjamin Constant, que doutrinava a “mocidade militar” na Escola Militar do Rio de Janeiro, e pelo Marechal Deodoro da Fonseca no Clube Militar, as Forças Armadas passaram a se ver como um “Poder Moderador” alternativo. O debate, para eles, era sobre moralidade, ordem e progresso técnico, culminando na convicção de que a mudança de regime era uma missão patriótica de “salvação nacional”.
O debate republicano também foi impulsionado pela Questão Abolicionista. Inicialmente, muitos republicanos (especialmente em SP) evitaram o tema para não alienar os fazendeiros escravocratas. Mas com a inevitabilidade do fim da escravidão, o movimento republicano soube capitalizar o ressentimento da elite agrária tradicional pós-Lei Áurea (1888). Republicanos atraíram os “escravocratas feridos”, que aderiram à causa não por convicção democrática, mas por vingança contra a Coroa que lhes retirou a “propriedade” sem indenização, os chamados “republicanos do dia seguinte”.
O 15 de Novembro: um golpe, não uma festa popular
Ao contrário do imaginário popular, a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, não brotou da vontade do povo nas ruas. Tratou-se, na prática, de um golpe militar. A manobra foi orquestrada por uma facção específica do Exército, articulada sob dois pilares: a liderança de prestígio do Marechal Deodoro da Fonseca, essencial para mobilizar a tropa nas ruas, e a influência intelectual de Benjamin Constant, o grande ideólogo que doutrinou a “mocidade militar” com os ideais republicanos. Esse núcleo fardado agiu em diálogo com as elites civis – políticos e cafeicultores insatisfeitos – que deram o suporte político necessário para a derrubada do trono.
O Povo Ficou de Fora. A população comum não participou da decisão. No dia do golpe, as pessoas assistiram à movimentação das tropas sem entender o que estava acontecendo. Um jornalista da época, Aristides Lobo, descreveu a cena de forma célebre: o povo assistiu a tudo “bestializado”, ou seja, surpreso e confuso, achando que aquilo era apenas um desfile militar, sem saber que o governo imperial estava sendo derrubado.
Mas o que motivou a ruptura? Longe de ser fruto apenas de idealismo cívico, o movimento foi impulsionado por interesses pragmáticos e corporativos. De um lado, o Exército, fortalecido após a Guerra do Paraguai, ressentia-se do tratamento recebido pelo Império e exigia protagonismo político, vendo-se como o verdadeiro tutor da nação. Do outro, a elite agrária tradicional rompeu com o trono por uma questão de bolso: a assinatura da Lei Áurea (1888). Sentindo-se traídos pela Coroa, que aboliu a escravidão sem oferecer indenização, esses fazendeiros tornaram-se os chamados “republicanos de última hora”, apoiando a queda da Monarquia não por convicção democrática, mas por retaliação.


Pernambuco em ebulição (1889-1892)
A queda do Império, em 15 de novembro de 1889, não inaugurou uma era de paz em Pernambuco. Pelo contrário: quando a notícia da Proclamação chegou ao estado no dia seguinte, 16 de novembro, o súbito vácuo de poder transformou o território em um campo de batalha político. Instalou-se uma disputa acirrada pela hegemonia da nascente República, fragmentando o cenário local em três forças principais, cada qual com uma visão distinta de poder:
- Os Marianistas (Democratas): Liderados pelo ídolo popular José Mariano. Eram abolicionistas, tinham o apoio do povo nas ruas e defendiam que Pernambuco tivesse muita autonomia (federalismo). Eram vistos com desconfiança pelos outros grupos por serem ex-liberais do Império.
- Os Lucenistas (Conservadores): A elite tradicional, ligada aos grandes latifundiários. Seus líderes, como o Barão de Lucena e Rosa e Silva, eram políticos experientes que tentavam se adaptar ao novo regime para não perder prestígio.
- Os Republicanos Históricos: Liderados por Martins Júnior. Eram os “puristas” ideológicos. Acreditavam que só eles, que eram republicanos antes de 1889, tinham legitimidade moral para governar. Odiavam os “adesistas” (gente que mudou de lado na última hora).
O primeiro governador, Marechal José Simeão de Oliveira, tentou uma política de moderação que desagradou profundamente os martinistas. Inconformado com a aproximação entre o governador e o grupo de José Mariano, Martins Júnior viajou ao Rio de Janeiro para intrigar pessoalmente contra Simeão, conseguindo sua queda em abril de 1890. Em seu lugar assumiu Albino Meira, um aliado dos martinistas que prontamente aparelhou a administração pública pernambucana.
Contudo, essa hegemonia durou pouco. A influência pessoal do Barão de Lucena sobre o Marechal Deodoro da Fonseca reverteu o jogo, derrubando Meira e colocando o próprio Lucena no poder em agosto de 1890. Lucena tentou uma “política de conciliação”. Mas, vencendo as eleições para a Constituinte, logo partiu para o Rio de Janeiro para ser ministro, deixando o desembargador José Antonio Correia da Silva em seu lugar para promulgar a primeira Constituição do Estado de Pernambuco em junho de 1891.
A situação sofreu uma reviravolta violenta com a renúncia de Deodoro da Fonseca em 23 de novembro de 1891. Sem seu protetor na capital federal, o governo apoio pelo Barão de Lucena em Pernambuco ficou isolado e vulnerável. Os republicanos históricos, vendo a oportunidade de retomar o poder, aliaram-se ao Exército e, na noite de 18 de dezembro de 1891, protagonizaram um combate sangrento no centro do Recife. Tropas federais comandadas pelo General Ourique Jacques enfrentaram a polícia estadual na Praça da República; o tiroteio resultou na deposição do governo e em um número incerto de mortos e feridos, levando uma Junta Governativa martinista ao poder.
No entanto, a vitória militar não garantiu a estabilidade política. O novo presidente, Floriano Peixoto, recusou-se a apoiar a Junta e impôs um nome de sua confiança, Alexandre José Barbosa Lima. Embora pernambucano, Barbosa Lima era visto como um forasteiro, pois fizera sua carreira no Ceará. Eleito formalmente em abril de 1892 pelo Congresso Estadual (então dominado pelos martinistas), ele logo rompeu com seus eleitores ao prometer a “verdade eleitoral” e recusar o uso da máquina pública para favorecer o partido. O conflito escalou quando o governador demitiu o Questor Policial, homem de confiança de Martins Júnior, e adiou as eleições federais. O que se seguiu foi uma guerra institucional:
- O Legislativo tentou suspender o governador.
- Barbosa Lima ignorou o Legislativo e governou com mão de ferro.
- Para sobreviver politicamente, ele fez alianças impensáveis, unindo-se brevemente até aos seus inimigos, os Marianistas.
Os conflitos da República no interior de Pernambuco.
Enquanto as disputas políticas se desenrolavam nos salões e jornais do Recife, uma série de conflitos armados eclodiu no interior do estado, revelando que a nova ordem estava longe de ser um consenso. A luta central se deu entre o projeto centralizador do governador Alexandre José Barbosa Lima e o poder local dos chefes políticos — os coronéis — ligados à oposição dos “republicanos históricos”, liderados por Martins Júnior. Mais do que uma mera disputa pelo poder, o conflito colocava em questão a própria natureza da autoridade no novo regime.
O cenário que levou ao conflito começou a se formar durante o governo da Junta Governativa, período em que os “republicanos históricos” de Martins Júnior venceram as eleições municipais, um pleito boicotado por seus adversários “lucenistas“. Com isso, conseguiram instalar seus aliados no poder local, garantindo uma importante base de poder político e administrativo no interior de Pernambuco.
Em 15 de agosto de 1892, o governador Barbosa Lima lançou uma declaração de guerra a essa estrutura de poder. Em um ato de força, decretou a dissolução de todas as municipalidades do estado, desferindo um golpe fatal contra a base de seus rivais. A justificativa oficial foi dupla: que os conselhos haviam sido eleitos em um pleito sem oposição, o que questionava sua legitimidade, e que a nova Lei Orgânica Municipal ainda não havia sido devidamente implementada. No entanto, a natureza do ato era inequivocamente política, um desafio direto ao poder dos coronéis.
A resposta ao decreto foi imediata e violenta. Os conselhos municipais depostos, muitos diretamente ligados a Martins Júnior, recusaram-se a abandonar seus postos. O que começou como resistência passiva rapidamente se converteu em insurgência armada, dando início a uma onda de levantes que se espalhou por todo o interior, desafiando a autoridade do governo central no Recife.
Logo após o decreto do governador, diversas localidades se levantaram em armas, demonstrando a amplitude e a organização da resistência ao poder de Barbosa Lima.
• Goiana: A revolta foi liderada pelo ex-comandante da guarda local, Antonio dos Santos Medeiros de Aguiar. Sob seu comando, “matutos” armados inutilizaram a linha telegráfica e tomaram a cadeia da cidade. A insurgência forçou uma resposta imediata do governo estadual, que enviou uma força de 40 praças para reprimir o movimento.
• Canhotinho: A cidade foi assaltada por um grupo liderado pelo deputado estadual e capitão Manoel Câmara. Os revoltosos roubaram armamentos e, após o confronto, fugiram para a propriedade do capitão no município de Água Branca.
• Garanhuns: A cidade também foi palco de um ataque, com a particularidade de a insurreição ter sido liderada pelo próprio subcomissário de polícia local, demonstrando a divisão de lealdades dentro do próprio aparelho estatal.
• Outras Localidades: Para evidenciar a extensão da reação, insurreições semelhantes, embora rapidamente controladas, também ocorreram em Salgueiro, Ingazeira e Vila Bela (atual Serra Talhada).
A natureza geograficamente dispersa e quase simultânea desses levantes demonstrou a existência de uma lógica e organizada rede de oposição, provando que o decreto de Barbosa Lima havia atingido um nervo que se estendia por todo o estado, e não apenas em focos isolados de descontentamento.
O Sertão em chamas: a Rebelião de Triunfo
O conflito mais duradouro, organizado e violento desse período ocorreu no Sertão do Pajeú, centralizado no município de Triunfo. Este episódio não foi um evento isolado, mas sim parte integrante das tramas políticas estaduais, demonstrando a profunda conexão entre o interior e a capital nos primeiros anos da República.
O principal líder da rebelião foi o coronel e deputado estadual Antônio Gomes Correia da Cruz. Com forte ligação política com Martins Júnior, ele se recusou a aceitar a posse da nova intendência nomeada pelo governador para Triunfo. A revolta contou também com o apoio popular e a liderança religiosa do padre Laurindo Douettes, que mobilizou os sertanejos para a luta contra o governo do estado.
As forças de Correia da Cruz, compostas por mais de cem homens, adotaram táticas de guerrilha, transformando o conhecimento da caatinga em vantagem militar. As tropas não lutavam como unidade única, mas dispersas em pequenos grupos, dificultando a perseguição.
A logística do conflito, contudo, revela a dureza da vida no front. O diário de campanha do Coronel Correia da Cruz expõe uma “contabilidade de guerra” rigorosa, onde ele registrava cuidadosamente cada boi, novilho ou saca de farinha fornecidos por aliados — de grandes coronéis a sertanejos humildes — sugerindo uma rede de solidariedade e promessas futuras de pagamento. Apesar dessa rede, a escassez era constante. Em momentos de penúria, os combatentes chegaram a recorrer à caça de tatus-bola e outros animais de pequeno porte para não morrerem de fome.
A rebelião em Triunfo foi diretamente financiada e instruída pela oposição no Recife, desmentindo a ideia de um levante espontâneo ou isolado. Cartas apreendidas e publicadas posteriormente comprovam que Martins Júnior atuava como o estrategista intelectual do movimento.
Em uma carta confidencial datada de 4 de setembro de 1892, Martins Júnior não apenas incentivava o conflito, mas ditava táticas militares, sugerindo ao Coronel que procurasse “inutilizar a força” governista antes que chegasse ao destino ou realizasse uma “retirada falsa” caso a luta fosse desvantajosa. O apoio material era explícito: o líder republicano colocou à disposição dos revoltosos “até um conto de réis”, que poderiam ser sacados contra a Casa Tavares de Melo, uma firma comercial do Recife, evidenciando o fluxo financeiro que sustentava a pólvora no sertão.
Contrainsurgência e Violência Simbólica
A resposta do governador Barbosa Lima configurou-se como uma autêntica operação de contrainsurgência. As forças estaduais, reforçadas e sob o comando do Tenente Florêncio de Carvalho, descrito nas cartas de Martins Júnior como um homem “capaz de tudo”, focaram não apenas no combate direto, mas no desmantelamento das redes de apoio familiar e logístico dos rebeldes.
A violência repressiva adquiriu contornos de crueldade simbólica e ataque à honra pessoal. Relatos da época denunciam que as tropas governistas invadiam residências, destruíam currais e espancavam civis. Um episódio emblemático do “furor satânico” descrito pelas fontes foi o suplício imposto ao revoltoso João Cosme: após ser capturado, teve suas barbas cortadas pelos soldados e foi forçado a engoli-las — uma humilhação suprema no código de conduta masculino do sertão — além de sofrer outras torturas físicas.
A combinação de superioridade bélica e terror sistemático contra a população civil minou a resistência. Com a ocupação de Triunfo e Flores e a posse das novas autoridades, a rebelião foi oficialmente encerrada em meados de 1893, consolidando, através da força, a autoridade de Barbosa Lima sobre o Alto Sertão.
Considerações Finais: a República forjada a ferro e fogo
A transição do Império para a República, longe de representar uma ruptura mágica ou a instauração imediata da cidadania, revelou-se no interior de Pernambuco como a continuidade — e muitas vezes o agravamento — das velhas práticas de mando e violência. Os eventos descritos, especialmente a Revolta de Triunfo, desmistificam a narrativa de um interior passivo ou alienado politicamente. O Sertão não foi apenas um espectador distante das disputas do Recife, foi o palco sangrento onde a hegemonia política do estado foi decidida.
A análise dos conflitos em Goiana, Garanhuns e, sobretudo, no Sertão do Pajeú, expõe a umbilical conexão entre a “alta política” da capital e a guerrilha na caatinga. A revolta liderada pelo Coronel Correia da Cruz e pelo Padre Douettes não foi um surto isolado de “matutos”, mas uma guerra por procuração, financiada e estrategicamente orientada pela oposição urbana de Martins Júnior. A “contabilidade de guerra” encontrada nos diários e a brutalidade da repressão — com seus requintes de violência simbólica, como a humilhação imposta a João Cosme — demonstram que a disputa não era apenas por cargos, mas pela honra e pela sobrevivência de redes de clientelismo e poder local.
Em última análise, a vitória militar de Barbosa Lima sobre as insurgências do interior não inaugurou a democracia federativa sonhada pelos idealistas de 1870. Pelo contrário, ela consolidou um federalismo autoritário, onde a autonomia municipal foi sacrificada no altar da governabilidade estadual. A pacificação de Triunfo e a submissão dos coronéis rebeldes foram os atos fundadores de uma nova ordem oligárquica, provando que, para o sertanejo, a República não chegou com o hino da liberdade, mas com o estrondo da repressão e a centralização da força.
Referências
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